WOLNYAH Viagem ao mundo espiritual


CAPÍTULO 01 – Domingo de Sol


WOLNYAH cap 1 Domingo de sol. Pedrim pescador escritor livros capixabas


Era um domingo de sol. Entediado de ficar em casa desci e fui para praia. Senti o vento fresco com aquele peculiar cheio de protetor solar misturado com frutos do mar, muito possivelmente camarão frito.

Caminhei rumo ao norte, em direção à Praia de Itapoã, observando as muitas pessoas sentadas nos quiosques, crianças brincando na areia e muita gente passeando em família, no calçadão da Orla da Praia de Itaparica, Vila Velha, Espírito Santo, Brasil.

Fui até a beira do mar, molhei meus pés na água, deixei meu par de chinelos, camisa e boné na areia e entrei no mar.



No verão a água do mar fica limpinha, transparente, é lindo ver os raios de sol penetrarem até o fundo de areia. Nadei um pouco, mergulhei de olhos abertos, coisa que tenho costume desde criança quando a água fica assim e saí do mar pegando uma ondinha de peito, vulgarmente chamado de “jacaré”, de modo a ser levado pela espuma até a beirinha. Peguei meus pertences e segui caminhando.

Como sempre, atento a tudo, atento a todos, observando o máximo de cores e detalhes em cada olhada. Viajante como sou, absorvendo toda a positividade de uma praia cheia de gente por todos os lados: vida! Frescobol, pipa, bola, altinha.

Passei pela colônia dos pescadores. Não é a toa que eu amo os barcos deitados sob os pés de castanheira que, imponentes no verão, verdejantes, nos fornecem tão agradáveis sombras formosas.



Amo ver aqueles barquinhos de madeira pintados com as mais diversas cores, descansando, enquanto seus pescadores limpavam peixes, outros consertavam redes e outros ainda cozinhavam sururus (mexilhões escuros) em grandes galões metálicos.

Voltei à beira do mar. Haviam alguns jovens nadando em direção à Ilha de Pituã enquanto outros retornavam. Naquele local a praia faz uma curva protuberante em direção ao mar, de forma que da ponta consegue-se observar plenamente as longas Praia da Costa ao norte guardada pelo imponente Morro do Moreno e Praia de Itaparica ao sul de igual modo guardada por outra formação rochosa, o Morro da Concha (já na Barra do Jucu).

Eu não transportava nada mais que minha roupa. Decidi então nadar até a ilha cuja travessia é curta e não perigosa. Aliás, é, sim, perigosa, no inverno, entretanto. Pois a frente fria provoca uma forte correnteza marítima que pode te arrastar. Mas no verão é tranquilo. Coloquei minhas havaianas nas palmas das mãos e fui nadando, tranquilamente, para não gastar todas as minhas energias, cauteloso. Água não tem cabelo, já dizia minha finada Vó Joanna.



A Ilha de Pituã é um verdadeiro mini-paraíso 100% capixaba. Que lugar lindo, um espetáculo da natureza. Tem uma praiazinha que nos recepciona, uma pedra alta de onde as pessoas saltam e eu tenho pavor de pular de lá, uma árvore solitária, e tão somente, uma outra praia na parte sul, meio secreta, na qual a natureza demonstra uma das suas maravilhas: a areia é toda coberta por uma camada espessa de concas calcáreas esbranquiçadas. De onde elas vieram? E como foram depositadas justamente ali? Segredos.

Segui pela faixa de conchas até a parte mais ao sul, e por todos os lugares que se transita na ilha, uma magnífica vista dos prédios de cerca de 14 andares de altura na região mais nobre da cidade. Andei pelas pedras, com cuidado para não escorregar. Aproximei-me de uma fenda para ver ouriços e um tipo de anêmona colonial de um verde tão azulado que chega a ser hipnotizante.

Fiquei ali, olhando por uns instantes quando, sem perceber, uma ondulação chocou-se contra a fenda em que eu estava, derrubando-me e arrastando-me para dentro da água. 


Muitas borbulhas me rodeando, tentei nadar para cima, mas tinha muita água escoando de volta, jogando-me para o fundo. Tentei a todo custo, subir, mas bateu um desespero, eu fui ficando sem ar, comecei a pensar “Vou morrer! Como fui burro! Por que eu fui ficar ali vendo os ouriços?” Lembrei-me de vários casos de pessoas que morreram afogadas em rios, lagoas e mares. Meu fôlego acabou. Fiquei inconsciente. O que aconteceu comigo? 

É o que eu vou te contar a partir de agora!